O “dia seguinte” do consumo abusivo...

Por: Giovanna Dimitrov

Saímos do inverno e começa a corrida anual para entrar em forma. A venda de algumas linhas começa a aumentar e ilusão e realidade se misturam. Todos os anos presenciamos este fenômeno, ciência e fé no mesmo lugar... no balcão da sua drogaria.

Quantas vezes ouvimos esta frase: “Você tem algum produto para emagrecer, bom, barato,

que não faz mal e que não precisa de dieta?”

Como não vamos entrar na área da fé, pois milagre só na igreja, vamos falar de um público que quer forma... os consumidores da linha de suplementos alimentares. É mais fácil aumentar do que reduzir o peso. Em média engordamos 1 kg a cada 3500 calorias ingeridas e não consumidas.

Para as lojas interessadas neste público, seguem algumas dicas neste artigo.

Uma academia nas proximidades é o primeiro ponto a ser observado. Até seis quarteirões é considerado positivo e quanto mais próxima de sua loja, melhor.

Uma parceria envolvendo divulgação pode ser interessante para ambos, farmácia e academia. A atividade física é um dos itens presente no receituário de vários médicos.

Algumas campanhas de saúde como caminhadas comunitárias ou formar grupos com a terceira idade também são boas opções.

Escolha dentro da loja uma área destinada à linha de suplementos. É importante sinalizar os produtos e agrupar.

O público tem uma faixa etária ampla, que varia dos 15 aos 50 anos e um ponto muito importante é a informação.     

Funcionários capacitados a atender as necessidades deste público é um pré-requisito, mas a aparência também ajuda. Como um funcionário passará credibilidade do serviço se o seu músculo mais desenvolvido for o “pânceps” (abdômen)! O treinamento deve ter foco nas linhas fitness e nos ativos destinados ao ganho de massa muscular e suplementação.
   
Para um leigo, as diferenças entre os ativos variam apenas com o tamanho e a cor do pote, mas as diferenças são bem maiores. Vamos ver alguns conceitos básicos.

Os músculos ganham formas avolumadas e o que chamamos de massa muscular, quando a prática de atividade física específica “machuca” a fibra muscular e depois do “descanso” ocorre à cicatrização.  

Para a prática da atividade física precisamos de energia dentro das células e os carboidratos são as primeiras fontes de energia. Para o funcionamento do organismo é necessário à ocorrência de inúmeras reações bioquímicas dentro das células. O conjunto destas reações é definido como metabolismo.
        
Para simplificar, o metabolismo esta dividido em duas partes que contém objetivos e resultados opostos, o anabolismo e o catabolismo.

As reações que acarretam o armazenamento de energia e construção de tecidos são conhecidas como anabolismo. Um exemplo de processo anabólico é a síntese de proteínas dentro do tecido muscular a partir dos aminoácidos. Os aminoácidos estão envolvidos na cicatrização das fibras musculares.

O anabolismo envolve a oferta de energia e substratos necessários às suas reações, sendo responsável pelo crescimento, regeneração e manutenção dos diversos tecidos e órgãos presentes no organismo.

Podemos citar como catabolismo quando o organismo esta sem energia suficiente e busca obter esta por intermédio da destruição de seus próprios tecidos e reservas, acarretando a liberação de aminoácidos e glicose que serão convertidos em energia. Na atividade física ocorre essencialmente o catabolismo.
O “dia seguinte” do consumo abusivo...

O mercado farmacêutico está presenciando um abuso no consumo de alguns medicamentos. A notícia parece antiga, mas a categoria de medicamentos a qual me refiro, é nova. As “pílulas do dia seguinte” entraram no mercado e segundo a empresa de consultoria IMS Health do Brasil, foram vendidas no Brasil, em 2000, 550 mil unidades do produto. Este ano, até setembro, esse número chegou a 3,4 milhões de comprimidos (um aumentou de seis vezes).

Ninguém está reclamando de vender mais, mas quando se trata de anticoncepcionais de emergência, começamos a pensar nas conseqüências imediatas e futuras.

Tais medicamentos foram desenvolvidos para situações emergenciais, e uma emergência não pode ocorrer todos os finais de semana. Uma emergência seria um caso de violência sexual ou falha de outro método.

A concentração de hormônios de uma “pílula do dia seguinte” pode ser 10X maior que a de um anticoncepcional comum e sua ineficácia pode chegar a 15%, mesmo utilizando da maneira correta.

No balcão da drogaria, observamos que estes medicamentos são vendidos para as mesmas pessoas com uma freqüência muito maior que a recomendada (anual). A falta de orientação leva a um consumo mensal ou semanal.

Os riscos de ingerir medicamentos hormonais em excesso é retenção de líquidos, aumento da pressão arterial, náuseas e desequilíbrio do ciclo hormonal e menstrual, aumento da glicose no sangue; cansaço; depressão mental; dor de cabeça; dor na barriga; erupção na pele; fraqueza; ganho de peso; inchaços; inflamação da gengiva (com doses altas de progestogênio); nervosismo; parada de períodos menstruais; sangramentos uterinos entre os sangramentos normais; sangramento menstrual aumentado; sangramento uterino quando da parada do produto e outros.

O medicamento deve ser ingerido com cautela e os Riscos X Benefícios devem ser avaliados nos casos de asma; diabetes mellitus; disfunção hepática; disfunção renal significativa; enxaqueca; epilepsia; fatores de risco de osteoporose; hiperlipidemia (colesterol alto); hipertensão (pressão arterial elevada); história de depressão ou convulsões; história de doença tromboembólica; história de tromboflebite; insuficiência cardíaca.

É contra-indicado e não deve ser utilizado nas doenças hepáticas agudas; doença tromboembólica ativa; durante a gravidez; sangramento urinário não diagnosticado; sangramento uterino ou genital não diagnosticado; tromboflebite ativa; tumor de mama.

As pílulas do dia seguinte alteram o muco cervical, dificultando a movimentação do espermatozóide e a implantação do ovo; o desogestrel também inibe a ovulação.

A desorientação e as altas dosagens de progestorona não protegem as mulheres das DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e o que poucos sabem, aumentam a possibilidade de gravidez.

O risco para quem utiliza com freqüência é além dos citados acima, a gravidez.

As polêmicas sobre estes medicamentos serem abortivos, ficam a critério de cada um. A ciência acredita que só existe vida, a partir do momento que o óvulo fecundado se fixa a parede intra-uterina. A religião acredita que existe vida no momento da fecundação. Estes medicamentos agem na implantação do óvulo fecundado na parede intra-uterina. 

Polêmicas a parte, o nosso papel é informativo. Não cabe a farmácia/drogaria interferir na vida particular de seus clientes, mas temos por obrigação a orientação.       

As clientes precisam saber quais os riscos que correm (principalmente a gravidez). A frase “Procure um médico” é linda, mas pouco útil. As clientes não vão ao médico e continuam tomando os medicamentos por conta própria.

A prevenção é o melhor remédio, e para as farmácias/drogarias a prevenção começa com a orientação.

A frase “Converse com o seu farmacêutico” é linda e viável.

Pense nisso...

Neste final de ano pense em todas as ações que realizou na sua loja... pense no que deu certo... no que precisa ser ajustado... 

Todo final de ano devemos fazer planos para o próximo ano e fazer um balanço do ano que termina.

Costumo atribuir os sucessos a um plano de ação bem feito e a ajuda de Deus. Já aos fracassos, atribuo ao baixo empenho, a falta de plano de ação e a ajuda de Deus.

Percebi no decorrer dos anos que sempre poderei contar com uma ajuda divina, mas “a sorte” de acertar não aparece sempre.

Nos dois casos tenho a ajuda de Deus, mas em apenas um, tenho o meu empenho, e isso é determinante.

Quando terminar seu plano de metas para 2005, imagine um plano de ação concreto e acredite que a “sorte” acontece mais rápido quando trabalhamos com o foco certo.

Bom final de 2004 e início de 2005!!!

Bom trabalho!!!

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