Vida de cachorro...

Por: Giovanna Dimitrov

Vida de cachorro...

 

O que a raça canina ou felina tem a ver com o ramo de drogaria? Se surpreenda ao ler esta matéria e saber que existem Leis Federais que regulamentam a venda de produtos veterinários na Drogaria.

 

Entende-se por produto veterinário toda substancia química, biológica, biotecnológica ou preparação manufaturada, cuja administração seja aplicada de forma individual ou coletiva, direta ou misturada com os alimentos, destinada à prevenção, ao diagnóstico, á cura ou tratamento das doenças dos animais, incluindo os aditivos, suprimentos, promotores, melhoradores da produção, animal, anti-sépticos, desinfetantes de uso ambiental ou equipamentos, pesticidas e todos produtos que , utilizados nos animais e/ou no seu habitat, protejam, restaurem ou modifiquem suas funções orgânicas e fisiológicas. Compreendem-se ainda, nesta definição os produtos destinados ao embelezamento dos animais (Decreto nº 1.662 de 06/10 de 1995).

 

A Lei 5991/1973, no seu Artigo 5º § 1º, informa: - O comércio de determinados correlatos, tais como, aparelhos e acessórios, produtos utilizados para fins diagnósticos e analíticos, odontológicos, veterinários, de higiene pessoal ou de ambiente, cosméticos e perfumes, exercido por estabelecimentos especializados, poderá ser extensivo às farmácias e drogarias, observado o disposto em lei federal e na supletiva dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.

 

A venda de produtos veterinários está amparada por uma Lei Federal e vamos entender melhor este mercado.

 

Atualmente os animais ganharam status de integrantes da família, e para muitos, pode ser o único “parente” próximo. Na opinião de alguns clientes, um animal doméstico pode ser mais companheiro que um namorado (a), e com certeza costuma ser mais “obediente”. O público infantil, na grande maioria, tem afinidade por animais domésticos e os pais, depois de convencidos pelos filhos da importância de um cachorro (ou gato), devem tratar seu animais para evitar possíveis doenças dos filhos. Quem já teve um filho doente porque seu animal doméstico adoeceu, entende bem estas linhas.

 

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Podemos vender produtos veterinários, mas medicamentos específicos da linha veterinária só podem ser vendidos em casas especializadas, com a supervisão de um veterinário.

 

Vários medicamentos da linha humana podem ser usados para animais, mas as dosagens e os cuidados são totalmente diferentes.

 

Existem alguns fatores importantes, como as diferenças entre as espécies, que podem modificar consideravelmente o modo de distribuição e metabolismo dos fármacos quando comparados aos pacientes humanos. Alguns fármacos de uso humano podem ser até  contra-indicados em determinadas espécies. As espécies com semelhança fisiológica tendem a apresentar os mesmos padrões de distribuição do fármaco, podendo-lhes ser aplicado o mesmo regime posológico.

 

Os gatos são uma das espécies  mais comuns que podem apresentar problemas. Os esquemas posológicos utilizados por cães são normalmente extrapolados para os gatos. Existem algumas diferenças importantes entre cães e gatos, portanto as dosagens utilizadas para os caninos não devem ser extrapoladas indiscriminadamente para os gatos.

 

O volume sangüíneo dos gatos, por exemplo, é de aproximadamente 70 mL/Kg de peso corporal em contraposição aos 90 mL/Kg dos cães. Por esta razão, as concentrações do fármaco no soro, quando a distribuição está restrita ao compartimento do soro, pode ser mais elevada nos gatos, causando reações adversas ou tóxicas quando se ignoram tais diferenças. Os gatos têm tamanhos semelhantes ao dos cães de pequeno porte, entretanto as doses estabelecidas com base no peso corporal para animais de médio e grande porte podem ser inadequadas para gatos, pois os animais menores têm áreas de superfícies corporais maior por unidade de peso corporal. Além disso, gatos enfermos não retêm a hidratação tão bem como cães enfermos. Por este motivo, os desequilíbrios dos fluidos corpóreos causados pela desidratação podem alterar a distribuição do fármaco.

 

Por exemplo, uma simples comprimido de Acetil salicílico pode intoxicar ou mesmo matar um gato, dependendo do peso do felino.  As preparações a base de subsalicilata de bismuto são algumas vezes utilizadas em gatos para o tratamento da gastroenterite aguda, mas a dose deve ser estabelecida com cuidado e atenção ao teor de salicilata no produto. Do mesmo modo, a sulfassalazina, para tratamento da colite crônica em gatos, deve ser utilizada com muita cautela devido ao acúmulo de ácido salicílico. 0 álcool benzilico e a fenol, freqüentemente, usados coma conservantes em vários produtos, podem, em pequenas quantidades, causam intoxicação em gatos de pequeno porte, devido ao acúmulo de um metabólico a ácido benzóico. Os produtos que são tóxicos no meio ambiente, como o etilenoglicol (um anticongelante usado nos radiadores de altomóveis) é altamente tóxico, tanto para humanos quanto para gatos e cães.

 

Os antiinflamatórios não esteróides têm um intervalo de segurança muito estreito, tanto para cães como para gatos, devendo ser usados com extrema cautela. 0 ibuprofeno pode causar irritação gastrointestinal e hemorragia em cães na dose de 8 mg/Kg ao dia.

 

Embora os cães não apresentem tanta sensibilidade aos fármacos coma os gatos, eles também são mais sensíveis a muitos fármacos de usa comum em seres humanos. E importante tomar muito cuidado ao administrar acetaminofeno, salicilatos e antiinflamatórios não esteróides para cães.

 

A farmacocinética das drogas em animais, similar ao homem, dependente do movimento destas pelo organismo e o efeito está relacionado à concentração que ocorre no seu local de ação. No homem, os fatores que influenciam na concentração da droga no seu local de ação são:

 

·        Tamanho da dose;

·        Formulação;

·        Via de administração;

·        Extensão da distribuição;

·        Ligação da proteína plasmática;

·        Taxa de eliminação.

 

Esses fatores podem variar de um animal para o outro, mas eles envolvem os mesmos quatro processos básicos de absorção, distribuição, metabolismo e excreção. Veja abaixo alguns exemplos:

 

 

Meias-Vidas (em Horas) de Drogas Selecionadas para Animais

 

Droga              Cavalo             Cachorro         Gato    Porco              Rumionante

                       


Anfetamina                  1.4                   4.5
Ampicilina                    1.6                   0.8
Cloranfenicol               0.9                   4.2
Oxitetraciclina  10.5                 6.0
PenicilinaG                   0.9                   0.5
Pentobarbital               1.5                   4.5
Salicilato                      1.0                   8.6
Sulfadimetoxina            11.3                 13.2
Sulfadoxina                  14.0
Trimetoprima               3.2                   3.0

 

6.5       1.1                   0.6
                                               1.2
            5.1       1.3                   2.0
                                               9.1
                                               0.7
            4.9                              0.8
            37.6     5.9                   0.8
            10.2     15.5                 12.5

                        8.2                   11.7

                        2.3                   0.8

 

 


Fonte:  Adaptado de Blodinger J. Formulation of Veterinary Dosage Forms. New York:

Marcel Dekker Inc; 1983:7, 12, 13, 16.

 

 

Os parâmetros farmacocinéticos dos diferentes tipos de drogas também variam entre os animais. Na tabela abaixo podemos ver as variações farmacocinéticas do Diazepam em três animais, incluindo humanos.

 

 

 

 

Parâmetros Farmacocinéticos do Diazepam em Humanos, Cachorros e Ratos

 

Variável Farmacocinética                                Humano           Cachorro         Rato

Meia-Vida (em horas)                         32.9                 7.6                   1.1
Clearance Corporal (mL/Kg-minuto)   0.35                 18.9                 81.6
Ligação de Proteina Plasmática (%                  96.81               6.0                   86.3
Clearance do Sangue (mL/Kg-minuto) 0.64                 35.0                 214.7
Velocidade de Extração Hepática                    0.029               0.81                 6.31
Fração de Droga Livre                        0.032               0.04                 0.14

 

Fonte:  Adaptado de Blodinger J. Formulation of Veterinary Dosage Forms. New York:

Marcel Dekker Inc; 1983:7, 12, 13, 16.

 

As informações passadas aqui são apenas uma pequena amostra, com o objetivo de enfatizar e de ilustrar coma as diferenças entre as espécies podem influenciar na disposição e metabolismo dos fármacos. 

 

Se a sua drogaria quer atender a este público especial é necessário separar as linhas e entender o mercado. Para vender produtos veterinários é preciso ter uma demanda interessante na região e se aprimorar nas informações.

 

Bom trabalho!

 

Dra. Giovanna Dimitrov

Consultora Farmacêutica

CRF SP 15.794

www.marcad.com.br

 

 

 

 

 

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