O doce sabor da linha Diet e Light
Por: Giovanna Dimitrov
O doce sabor da linha Diet e Light
Os freqüentadores de farmácias e drogarias estão procurando produtos mais saudáveis que sejam seguros e de prática utilização. Com esta tendência cresce o consumo de produtos diet/light, indicados para quem precisa manter dietas restritivas ao açúcar ou está preocupado com a estética e em manter hábitos alimentares saudáveis.
O mix de produto cresce a cada dia e as farmácias e drogarias começam a diversificar suas linhas para atender esta necessidade de mercado.
As empresas que estão com esta linha nos pontos de venda descobrem rapidamente que não basta ter o produto, é necessário conhecer muito bem o que é oferecido ao consumidor final. Os funcionários destas empresas muitas vezes têm dificuldades de diferenciar até os adoçantes.
Como está o seu conhecimento sobre o assunto?
O que contém cada produto, seu uso e a qual público se destina, são as informações mínimas a serem observadas.
No Brasil observamos refrigerantes classificados como Light que não contém açúcar, portanto são Diet. Alguns destes refrigerantes Light (que não contém açúcar) contem uma quantidade de Sódio (sal) bem maior que o refrigerante original. Portanto para este caso, o público alvo são as pessoas que precisam de dietas com restrição de açúcar, mas não são recomendados para hipertensos.
Vamos entender nas linhas abaixo um pouco sobre as diferenças entre os ativos utilizados para proporcionar o sabor adocicado aos produtos.
O Codex Alimentarius classificou os substitutos da sacarose em dois grupos: os edulcorantes intensos (ou não nutritivos) e os adoçantes de corpo.
Dentre os edulcorantes calóricos, predominam os carboidratos na forma de monossacarídeos como glicose e frutose; e dissacarídeos com sacarose e lactose, pois somente os açúcares de baixo peso molecular são doces. Estes açúcares além de adoçantes também são espessantes, umectantes, conservantes, solubilizantes, estabilizantes e ainda podem modificar a textura, dão volume, realçam o aroma e sabor das preparações às quais são adicionados.
O açúcar de cana é formado basicamente por sacarose. A sacarose é composta de glicose e frutose unidas por ligação alfa. O grande consumo deste edulcorante se deve às suas propriedades de boa palatabilidade, excelente disponibilidade, baixo custo de produção e, portanto, facilidade de acesso para aquisição. Seu perfil de sabor é de rápida percepção da doçura (um a dois segundos) e persiste por aproximadamente trinta segundos. Fornece energia sendo que de 1g de sacarose obtém-se 4 Kcal.
A frutose é encontrada principalmente em frutas e no mel. Também chamada de levulose. Pode ainda ser obtida por isomerização enzimática de soluções de dextrose pura, ou por extração da raiz da chicória, alcachofra ou dália através da insulina. Poder adoçante em relação à sacarose de 117%, o que permite que seja consumida em menor quantidade, e, portanto, fornece menor aporte calórico em relação à sacarose. Sua doçura é também rapidamente percebida; apresenta sinergia com outros edulcorantes como ciclamato e sacarina, reduzindo o sabor residual destes. É energética, fornecendo 4 Kcal por grama.
A glicose está naturalmente presente em frutas e mel. É o substrato energético mais importante para o metabolismo do ser humano. Muitas vezes o termo glicose é utilizado para referir-se ao xarope de amido, que não se constitui apenas de glicose, mas também de maltose e dextrina.Tem grau de doçura inferior à sacarose 70%. Porém o poder adoçante se autopotencializa a concentrações elevadas. Um grama de glicose fornece 4 Kcal.
O aspartame tem a doçura que mais se assemelha à sacarose entre os edulcorantes, apesar de persistir mais tempo. Não deixa sabor residual, seja amargo, químico ou metálico. Adoça de 43 a 400 vezes mais que a sacarose, dependendo da forma como se apresenta e do alimento onde se encontra. A presença de outros aditivos e pH pode afetar a potência do aspartame, assim como a sinergia com vários carboidratos, com acessulfame-K, sacarina e ciclamato. É um edulcorante calórico, porém utilizam-se quantidades mínimas para adoçar. Indicado para diabéticos.
A stévia é extraída das folhas da Stevia rebaudiana. O perfil de sabor é semelhante ao da sacarose, porém mais persistente e residual de mentol. Adoça de 110 a 300 vezes mais que a sacarose. Apresenta sinergia com aspartame, acessulfame-K e ciclamato, mas não com sacarina. Não cariogênico. Indicado para diabéticos. É resistente a algumas temperaturas associadas às faixas de pH.
O sorbitol é obtido industrialmente através da hidrólise do amido seguida de hidrogenação catalítica da D-glucose. Sendo comercializado na forma de xarope a 70% ou na forma pó. Apresenta poder espessante, edulcorante, inibidor de cristalização e anticongelante. Doçura de 0,5 a 0,7 em relação à sacarose e efeito refrescante na boca, sem sabor residual. Em associação com outros edulcorantes, como sacarina e ciclamato, mascara o sabor residual destes. Apresenta sinergia também com acessulfame, aspartame e stévia. Fornece 4 Kcal/grama.
A sacarina é um produto sintético com alto poder edulcorante, sendo de 200 a 700 vezes maior que a sacarose, porém tem gosto residual amargo, com perfil de sabor tardio e persistente. Estável a várias temperaturas, não calórico e não cariogênico. Apresenta sinergia com aspartame, ciclamato, sacarose e sorbitol. Indicado para diabéticos. O seu consumo diário não deve ultrapassar a 5 mg/kg peso/dia.
O ciclamato é um produto sintético obtido a partir da sulfonação da ciclohexilamina. Seu perfil de sabor é de lenta percepção da doçura, com sabor residual doce-azedo duradouro. Estável em ampla faixa de pH e temperatura. Não calórico e não cariogênico. Indicado para diabéticos. Sinergismo com sacarina, aspartame, stévia e sacarose. O seu consumo diário não deve ultrapassar a 11 mg/kg peso/dia.
O acessulfame K apresenta estrutura semelhante à sacarina. Apresenta estabilidade em várias condições de temperatura e pH. Sua doçura é rapidamente perceptível, com decréscimo lento, não persistente. É cerca de 180 a 200 vezes mais doce que a sacarose. Não calórico e não cariogênico. Indicado para diabéticos. Sinergismo com aspartame, frutose e sorbitol. O seu consumo diário não deve ultrapassar a 15 mg/kg peso/dia.
A sucralose é 400 a 800 vezes mais doce que a sacarose, sendo dependente de pH e temperatura, apresentando boa estabilidade. Perfil de sabor de percepção rápida e com persistência maior que a sacarose. Não calórica, não cariogênica. Indicada para diabéticos. O seu consumo diário não deve ultrapassar a 15 mg/kg peso/dia.
O importante é ler e interpretar as informações descritas nos rótulos, mas antes do cliente perguntar para você.
O sabor da informação é doce...
Bom trabalho e boas vendas!
Dra. Giovanna Dimitrov
CRF SP 15.794
Consultora farmacêutica
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