Medicamentos X Idade
Por: Giovanna Dimitrov
Medicamentos X Idade
Janeiro de 2006
Uma boa parte do público da drogaria/ farmácia é formada por clientes da “melhor idade”, e está realidade está crescendo. De acordo com o IBGE a média de idade do brasileiro em 2000 era de 68,4 anos e de acordo com o SEADE, em São Paulo esta média subia para 71 anos.
Entender os medicamentos, seus efeitos, reações adversas e cuidados deste público (e dos demais públicos) são necessidades do cotidiano de uma drogaria/ farmácia. Um cliente da terceira idade toma em média quatro ou cinco medicamentos com prescrição médica. Envelhecer aumenta a probabilidade das doenças crônicas, daí a necessidade de utilizar mais medicamentos que os adultos jovens.
A quantidade de água no organismo diminui à medida que as pessoas vão envelhecendo. Como muitas drogas se dissolvem na água e há menos água disponível para sua dissolução, essas drogas atingem níveis mais elevados de concentração nas pessoas idosas. Os rins tornam-se menos capazes de excretar as drogas na urina, e o fígado, menos capaz de metabolizar muitas substâncias. Desta forma, muitos medicamentos tendem a permanecer no corpo das pessoas idosas durante um tempo muito maior do que ocorreria no organismo de uma pessoa mais jovem.
A excreção refere-se aos processos pelo qual o corpo elimina uma droga. Os rins são os principais órgãos de excreção. Os rins filtram medicamentos da corrente sangüínea e excretam essas substâncias na urina.
A capacidade renal de excreção de medicamentos depende do fluxo urinário, do fluxo de sangue através dos rins e do estado dos rins. À medida que as pessoas vão envelhecendo, diminui a função renal. O rim de uma pessoa com 85 anos de idade tem apenas cerca da metade da eficiência, em termos de excreção de drogas, que o rim de uma pessoa com 35 anos.
O fígado excreta alguns medicamentos pela bile. Essas substâncias entram no trato gastrointestinal e terminam nas fezes. Quando não são reabsorvidos pela corrente sangüínea são eliminadas. Também pequenas quantidades de algumas substâncias são excretadas na saliva, suor, leite materno e mesmo no ar expirado.
As crianças de 2 a 12 anos de idade necessitam de maior quantidade de medicamento em proporção ao peso corporal que os adultos. Como os recém-nascidos, as pessoas idosas possuem reduzida atividade enzimática, não sendo capazes de metabolizar os medicamentos de forma tão eficiente como os adultos mais jovens e as crianças.
Os recém-nascidos e pessoas idosas freqüentemente necessitam de doses menores por quilograma de peso corporal, enquanto as crianças precisam de doses maiores.
É arriscado não seguir as orientações do médico em relação ao uso de medicamentos e algumas vezes o receituário não é claro ou a linguagem utilizada não é compreendida. Não utilizar um medicamento ou tomá-lo em doses erradas, pode causar problemas. Sintomas indesejados decorrentes do uso inadequado dos medicamentos podem levar o médico a mudar o tratamento.
O papel do farmacêutico é certificar que informações essenciais foram compreendidas. No Congresso sobre Diabetes realizado em Salvador em 2005 o tema de educação em diabetes foi abordado pela enfermeira Sonia Aurora Alves Grossi e divulgou uma realidade que vivenciamos nos balcões das drogarias/ farmácias.
A baixa capacidade para ler, compreender e escrever entre os adultos são preocupantes até nos países de primeiro mundo.
Em 1992, The National Adult Literacy Survey, fundada pelo US Department of Education, avaliou a capacidade de ler e escrever em adultos americanos e concluíram que cerca de 90 milhões (45% da população estudada) possuem limitações importantes para a compreensão de orientações dos profissionais de saúde, de instruções escritas e dos conteúdos recursos audiovisuais (Kirsch L; Jungeblut A; Jenkins L; Kolstad A, 1998).
É estimado que 44 milhões de americanos sejam analfabetos e que 50 milhões tenham pouca habilidade de leitura (Ad Hoc Comitee on Health literacy, JAMA, 1999). No Brasil, a população analfabeta acima de 10 anos de idade é estimada em 13% (22 milhões), sendo 10 milhões na região nordeste (IBGE, 2000).
Isso significa que essas pessoas não compreendem as mensagens dos profissionais da saúde e consequentemente não conseguem por em prática os ensinamentos. Indivíduos com dificuldades para ler têm a saúde prejudicada, maiores despesas médicas e maior número de hospitalizações.
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Alfabetizados |
Semi-alfabetizados |
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l Interpreta o significado das palavras.
l Tem fluência no vocabulário.
l Encontra significado para palavras incomuns.
l Pode examinar o material e encontrar os conceitos principais.
l Pode separar os aspectos fundamentais dos detalhes. |
l Toma as palavras literalmente.
l Ele lê devagar e soletra as palavras.
l Pula palavras incomuns.
l Tem dificuldade em encontrar os conceitos principais: os olhos divagam pela página.
l Focaliza os detalhes. |
Doak CC; Doak LG; Friedel GH; Meade CD. Cancer J Clin, 1998
Uma pessoa com diabetes pode apresentar fraqueza, sudorese, náusea e palpitações se a insulina ou o hipoglicemiante reduzir excessivamente o nível de açúcar no sangue. Esse tipo de reação medicamentosa adversa é comumente previsível, mas indesejável. Se o farmacêutico trabalhar com a informação preventiva, o cliente saberá que é uma reação do medicamento e usará um antídoto simples: alimentação.
A ocorrência de reações medicamentosas adversas leves ou moderadas não significa necessariamente que o medicamento deva ser interrompido, em especial quando não há alternativa adequada. A informação e capacidade do farmacêutico ajudam o médico, pois muitas informações são passadas no balcão.
O médico poderá ajustar a dosagem, a freqüência de administração (número de doses por dia), os horários da administração e os possíveis usos de outros agentes que possam aliviar os sintomas indesejados (por exemplo, o uso de um emoliente das fezes, caso o medicamento tenha causado constipação) com as informações devidas.
A pergunta mágica é: “A Sr.(a) já falou sobre isso com o seu médico?”.
O ideal para o tratamento do cliente seria se todos os medicamentos prescritos e os de venda livre fossem adquiridos em uma mesma drogaria/ farmácia que trabalhasse com o perfil medicamentoso completo do cliente. Assim, o farmacêutico poderia ajudar a verificar a possibilidade de interações, reações e a contribuir com o que mais falta: orientação e informação.
Como o ideal não é a (ainda) nossa realidade, o nosso maior desafio é a informação. A falta de informação enfraquece a saúde das drogarias/ farmácias e a dos nossos clientes.
Bom trabalho e bons estudos!
Dra. Giovanna Dimitrov
Consultora Farmacêutica
CRF SP 15.794
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