Errar é humano...
Por: Giovanna Dimitrov
Com o número de itens disponíveis em uma farmácia/ drogaria e as adversidades do balcão fica difícil eliminar todos os erros na dispensação.
Errar é humano, mas quando falamos em erros que podem acarretar mais problemas de saúde a uma pessoa, este erro é desumano.
Os farmacêuticos são os profissionais capacitados para detecção dos erros e para a implementação de projetos de redução dos mesmos.
Criar programas e treinar os funcionários é uma das várias atribuições do farmacêutico.
Muitos erros provavelmente não são detectados. Os efeitos clínicos significativos de muitos erros podem ser mínimos, com pouca ou nenhuma conseqüência que afete o cliente e alguns erros podem ser significativos.
É importante identificar qual o ponto fraco na sua loja, elaborar um plano de ação e efetivamente resolver os problemas existentes e prevenir os futuros.
Os erros de medicamento podem ser divididos em doze categorias:
1) Erros de omissão - falta de administração de dose prescrita. Pode ser
também enquadrado nesta categoria a falha na orientação do cliente em relação à terapia proposta, buscando compreensão e aderência ao tratamento. Por falta de informação o cliente não utiliza corretamente o medicamento.
Dica: Pratique a Assistência Farmacêutica e utiliza palavras simples para a orientação.
2) Dose sem autorização – uso do medicamento sem autorização médica. Esta categoria inclui uma indicação feita por pessoa leiga (vizinho), dose administrada em duplicata, administração de dose não prescrita e dose administrada fora dos parâmetros clínicos.
Dica: Pratique a Assistência Farmacêutica e informe os riscos de “ajustar” as doses e utilizar medicamentos sem acompanhamento médico.
3) Dose errada - os erros envolvidos nas doses são comuns e parecem apresentar risco considerável para os clientes. Este risco deve aumentar na medida em que aumentam as formas farmacêuticas no mercado. Os efeitos relacionados com erros envolvendo doses incluem o aumento dos efeitos adversos devido à velocidade de absorção ou liberação rápida; devido à troca de vias de administração e de forma farmacêutica, sem o cálculo correspondente; efeitos adversos devido às características da forma farmacêutica (por exemplo, betametasona administrada EV); devido à via errada de administração; devido à overdose de medicamentos administrados, por administração de outros medicamentos que contenham a mesma substância, em conjugação com outras.
É considerado erro qualquer dose prescrita em número errado de formas farmacêuticas (X comprimidos) ou qualquer dose acima ou abaixo da dose prescrita em determinada concentração; a administração de medicamentos de liberação imediata ao invés de medicamentos de liberação prolongada; designação ambígua de concentrações ou embalagem. As trocas de medicamentos também se incluem neste item. Dica: Fique atento ao receituário e em caso de dúvida entre em contato com o prescritor.
4) Via de administração - administração de medicação por via diferente da prescrita. Trocar a via de administração também é um erro. Dica: A troca da via de administração deve ser autorizada pelo médico.
5) Velocidade de infusão - administração de medicamento em velocidade diferente da prescrita ou da estabelecida nas normas hospitalares.
Dica: Muitas drogarias/ farmácias não realiza a aplicação Endovenosa, mas as que realizam devem ter profissionais capacitados.
6) Forma farmacêutica errada - Os profissionais de saúde e os clientes não recebem orientação adequada em relação à administração das diferentes formas. A forma pode ser simples, fornecendo diferentes concentrações e tamanhos de um comprimido de liberação prolongada ou formulações com propriedades farmacocinéticas e farmacodinâmicas diferentes. Diferentes formas induzem à administração por diferentes vias, liberação ou retenção de substâncias, com a finalidade de aumentar a conveniência para o cliente, administração a populações especiais (crianças) reduzir os efeitos adversos, aumentar os efeitos terapêuticos, liberação de substância em órgão-alvo, aumentar biodisponibilidade e promover o uso em diferentes indicações. Enquanto o benefício e a conveniência substancial para o cliente é a aquisição da formulação adequada, o uso impróprio de formas e apresentações, induz a risco potencial. A substituição de um líquido por um comprimido de mesma concentração, não é considerado como erro. Dicas: Tenha materiais técnicos de pesquisa (por exemplo PR Vade Mécum, Kairos e outros).
7) Tempo de administração errado - administração de uma dose determinadas horas antes ou depois do tempo agendado; administração de medicamento sem definição prévia de intervalo entre doses. É comum o cliente não levar a quantidade suficiente para o tratamento completo. Dica: A informação é uma ferramenta importante para a conscientização.
8) Preparação errada da dose - diluição ou reconstituição incorreta, falta de diluição completa da suspensão, emprego de medicamento vencido, administração de medicamento fotossensível sem proteção adequada e mistura de medicamentos física ou quimicamente incompatíveis. Dica: Se certifique que o cliente tenha as informações quanto ao preparo do medicamento.
9) Técnica de administração incorreta - situações onde o medicamento correto é empregado, pela via correta, lado correto, mas a técnica usada é imprópria, como na instilação incorreta de uma pomada oftálmica, ou no uso incorreto de um equipo.
Dica: Se certifique que o cliente tenha as informações quanto à forma correta de administração do medicamento.
10) Erros de prescrição - seleção incorreta da droga (sem considerar as indicações, contra-indicações, alergias conhecidas, terapia já existente e outros fatores), dose, forma farmacêutica, quantidade, via de administração, concentração, velocidade de administração errada ou desconsiderar as instruções de uso de um produto; prescrições ilegíveis; escrituração em nomenclatura e abreviaturas diversas das padronizadas na instituição; transcrição imprópria; cálculo errado da dose. Dica: Quando o receituário despertar alguma dúvida, o farmacêutico deve entrar em contato com o prescritor.
11) Erro de monitoramento - falha na avaliação da eficácia dos sistemas, na detecção de problemas ou falha no entendimento apropriado dos dados laboratoriais para opinião quanto à resposta do cliente a determinada terapia. Dica: Ao farmacêutico cabe salientar a importância dos exames laboratoriais para o cliente.
12) Erro de cálculo - a necessidade de cálculo individual de cada dose de medicamento para crianças e lactentes pode levar a maior margem de erros. Em virtude disto, estes clientes correm maiores risco de desenvolvimento de seqüelas em conseqüência de erros, porque esses erros podem levar a vários prejuízos.
Dica: O farmacêutico deve ficar atento ao receituário e se certificar das dosagens para todas as faixas etárias.
Os motivos que levam ao erro são vários e os itens citados retratam algumas conseqüências. Para minimizar os erros de leitura (devido a caligrafia) uma boa dica é conferir a receita com um colega perguntando: “ O que você lê nesta receita?”. A disposição física da área de dispensação também deve ser organizada para prevenir erros.
Os erros são humanos, mas não podem ser técnicos. Que os nossos não afetem a qualidade do medicamento ou de seu uso.
Praticando a Assistência Farmacêutica o farmacêutico ocupa o seu lugar e faz a diferença no atendimento e no entendimento dos receituários.
Bom trabalho!
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