Medicamentos
e o Diabético
Na última edição da Kairos falamos sobre
as Insulinas e deixamos uma pergunta para os leitores pensarem:
A Mulher diabética
quando fica grávida pode tomar insulina?
Antes de responder a esta
questão, vamos pensar um pouco nas opções
de tratamento que um diabético tem. O paciente diabético
tem como opção de tratamento, dependendo do
tipo de diabetes que possui (tipo 1, tipo 2 ou gestacional)
o que chamávamos de tripé e agora de “quadripé”,
pois foi acrescentado o item INFORMAÇÃO:

É interessante observarmos
que a algumas farmácias podem atingir o tratamento
como um todo, pois vendem produtos diferenciados para alimentação
do diabético (o que é permitido pela Lei 5991/73),
vendem medicamentos (insulinas e hipoglicemiantes orais),
prestam informações aos diabéticos e
por tudo isso recebem muitos diabéticos que gostam
de comprar seus medicamentos indo “a pé”,
ou melhor, caminhando para a loja praticando exercício.
Vamos nos prender ao item
medicamento, onde falaremos dos hipoglicemiantes orais.
Há três grupos
de medicamentos chamados de hipoglicemiantes orais: sulfoniluréias,
biguanidas e inibidores de alfa-glicosidase. Podem ser utilizadas
individualmente ou combinadas. Possuem mecanismos de ação
diversos, atuando de maneira diferenciada no peso corpóreo,
lipidemia, insulinemia e resistência à insulina.
Abaixo vamos ressaltar a
ação, benefícios e contra-indicação
de cada grupo:
Sulfoniluréias
- Aumentam a secreção
de insulina
- São relativamente baratas.
- Podem ser usadas 1x dia e raramente causam hipoglicemia
- Efeitos da substância tende a diminuir após
vários anos de tratamento.
- Os principais efeitos colaterais são ganho de peso
(3-5kg) e hiperinsulinemia.
- Hipoglicemia é mais freqüente com as drogas
de ação prolongada: glibenclamida (24h) e clorpropamida
(48-72h).
- Contra-indicadas nos portadores de nefropatia e idosos.
- Existem opções de sulfoniluréias de
curta ação (12-24h), tais como a glipizida e
gliclazida. A clorpropamida também é contra-indicada
na insuficiência cardíaca - potencializa a ação
do hormônio anti-diurético causando retenção
hídrica. A ação hipoglicemiante das sulfoniluréias
pode ser aumentada por salicilatos, sulfonamidas, fenilbutazona,
dicumarol, antagonistas H2 da histamina, anti-depressivos
tricíclicos.
- Tem efeito reduzido por bloqueadores beta-adrenérgicos,
barbitúricos, glicocorticóides e diuréticos
não poupadores de potássio.
- Contra-indicado no período gestacional.
Biguanidas (metformina,
fenformina)
- Podem ser utilizadas como
medicamento único (monoterapia) ou associadas a sulfoniluréias.
- A diminuição média da taxa de glicemia
com o uso da metformina é semelhante à observada
com as sulfoniluréias.
- Vantagens: não causam hipoglicemia ou ganho peso
(até favorecem a sua perda), diminuem a insulinemia
, além de atuarem mais favoravelmente no perfil lipídico.
- São mais caras que as sulfoniluréias e seu
efeito também tende a diminuir com o tempo.
- Efeitos colaterais gastro-intestinais, especialmente diarréia,
anorexia, náusea, podem ocorrer em 30% dos casos e
tendem a desaparecer.
- Contra-indicado no período gestacional.
Inibidores da alfa-glicosidase
(acarbose, miglitol)
- São pseudo oligosacarídeos
e inibidores competitivos potentes das alfa-glicosidases das
vilosidades intestinais, enzima essencial na quebra de amido,
dextrinas, maltose e sacarose em monosacarídeos absorvíveis.
- Não age em jejum.
- Não causa hipoglicemia e tende a diminuir o peso.
- Efeitos colaterais: diarréia, flatulência,
cólica, desconforto e distensão abdominal (que
melhoram com a redução de ingesta de carboidratos),
aumento de transaminases (reversível com a suspensão
da droga).
- Têm efeito hipoglicemiante inferior aos da sulfoniluréias.
- Contra-indicada no período gestacional.
Aproximadamente de 10-15%
das pessoas diabéticas é tratada apenas com
dieta e exercício e os medicamentos são introduzidos
conforme a necessidade de reduzir a taxa de glicemia.
Os grupos de medicamentos
citados acima são encontrados nas farmácias
com vários nomes comerciais. Como exercício,
procure na prateleira de sua farmácia os medicamentos
hipoglicemiantes orais que você conhece e com a ajuda
de um livro da área (Bulário, DEF, Vade Mécum
......) identifique o grupo que ele pertence.
Após estudarmos as
insulinas e os hipoglicemiantes orais, voltamos a questão
inicial:
A Mulher diabética
quando fica grávida pode tomar insulina?
A resposta é sim,
a mulher diabética pode tomar insulina e em muitos
casos é a única opção de medicamento,
pois os hipoglicemiantes orais são contra-indicados
neste período.
No balcão da farmácia
a informação é o melhor remédio
para o diabético. O tratamento do diabético
deve, obrigatoriamente ser orientado por um médico,
mas você balconista/ farmacista, pode e deve se informar
sobre o assunto.
Só uma boa explicação
pode convencer um cliente mal informado a não trocar
seu medicamento habitual para controle de glicemia por outro
que a vizinha toma.
No próximo mês vamos conhecer o pé do
diabético....... podem acreditar que ele tem pés
muito especiais....
Bom trabalho!
Dra. Giovanna Dimitrov
CRF SP 15.794
Consultora Farmacêutica
Especializada em Houston – Texas em formas farmacêuticas

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